Sempre que ouço os planos de alguém que está na esperança de ganhar em alguma loteria, observo que a primeira coisa que a pessoa quer fazer é comprar alguma coisa: casas ou apartamentos para alugar, carro, uma viagem, etc... Raramente ouve-se alguém dizer que irá repartir ou ajudar alguém.
Talvez faça parte do nosso instinto de sobrevivência. Quando temos dinheiro na mão queremos logo gastá-lo com algo que nos dê prazer, nos faça sentir na plenitude da existência social. Mesmo para os mais disciplinados, não é fácil manter dinheiro no banco, pois sempre temos alguma "urgência", alguma "promoção imperdível", algo que nos faça usar nosso potencial de compra.
Se nossos rendimentos mensais aumentam, aumentam junto nossas despesas. Queremos que toda a nossa vida melhore: casa, vestuário, carro, diversões, etc...vemos que nunca temos dinheiro suficiente pra cobrir tudo. Quando nossos rendimentos diminuem somos obrigados a reduzir nossa qualidade de vida, viver de forma mais simples e ficamos pensando para onde ia o tanto de dinheiro que ganhávamos antes.
Isso tudo é amar a nós mesmos. Não vejo nada de errado em amarmos nós mesmos, querermos o melhor para a nossa família, sonharmos com um futuro melhor. Mas se vermos pela ótica cristã, e é ai que está a complicação, deveríamos amar o próximo como amamos a nós mesmos!
Putz! Ou seja, não podemos melhorar de vida se as pessoas ao nosso redor não melhorarem também! Percebe no que isso acarreta? - Com tanta gente pobre, nunca seremos ricos! - Se partir do princípio que você vai sustentar todo mundo, não vai mesmo (rsrs). Mas não é bem disso que estou falando...
O mundo está passando por uma crise financeira séria ultimamente. Há apenas alguns meses atrás parecia tudo bem e derrepente tudo o que se tinha como certo, desvalorizou, faliu ou perdeu-se. A crise afetou inicialmente quem era rico, depois foi sendo repartida para os menos afortunados. Salários estão sendo diminuídos e muitas demissões estão acontecendo. Nessas horas, muita gente pergunta-se pelo motivo de tudo isso. Alguns avaliam suas vidas e todos procuram por alguma saída.
Pra quem está nessa situação, a riqueza dos outros é ofensa, é injustiça. Principalmente quando os que têm não enxergam as carências dos outros, tratando-os com indiferença ou como um incômodo. A indiferença, acho, é o pior. É como desfalecer de sede observando o outro nadando em seu rio. - Somente um gole já ajudaria - pensamos...
Meu padrão de justiça é o cristianismo. Creio que o da maioria também. Sua essência é o amor a Deus e ao próximo. A vida e a morte de Cristo é o exemplo. Durante os 3 anos de Seu ministério ele não precisou trabalhar, ele era suficientemente rico pra isso? Creio que o serviço de carpinteiro não rendia-lhe muitos lucros (rsrsrs). Deus multiplicou os alimentos todos os dias pra Ele e seus discípulos? Também acho que não pois se fosse assim estaria escrito. Ele recebia tudo o que precisava dos que O amavam. Sim, Cristo era abeçoado pelos que O amavam. As viúvas, os que criam, todos auxiliavam na manutenção de Jesus e Seus companheiros, simplesmente por amor.
Bem, então vamos amar e não precisamos mais trabalhar, né? Também acho que não seria tão simples assim. Mas tenho certeza de que se você se engajar em trabalhar por uma boa causa, você encontrará pessoas no caminho dispostas a ajudá-lo.
Em suma, o que quero dizer é o seguinte: Não é possível ser rico sozinho e ser cristão ao mesmo tempo. É uma idéia com semelhanças no comunismo sim, mas só com nas partes boas, se é que você me entende. Compartilhar, ajudar, sustentar e suportar não só emocionalmente, mas também financeiramente.
É possível sim viver bem com seus rendimentos, almejar ganhos maiores, mas pensando que você tem uma grande família pra sustentar. Nossa família pode ser composta de nossos filhos, familiares, amigos, vizinhos, e qualquer outro que você conheça. Você não deixará que ninguém passe qualquer tipo de necessidade, você estará sempre pronto a ajudar no que for necessário para que essa pessoa tenha uma vida plena. Todo pai sonha com o futuro de seus filhos. Queremos que eles sigam nosso exemplo de vida, que tornem-se ainda melhores do que somos. Assim (creio) deve ser nosso olhar para com os nossos próximos. Devemos querer abençoá-los, querer que elas também tornem-se fontes de vida para outros e que ensinem outros a amar seus (outros) próximos como a si mesmos.
Assim, seremos ricos mesmo, mas de um modo diferrente (rsrsrs).